Hoje estou que não me entendo…”
Frase feita, numa canção de um cantor da minha adolescência a quem achava alguma graça, principalmente quando o ouvia sem qualquer indicação de alguém, só porque sim e, porque representava alguma rebeldia ou não sei um quê principalmente na forma como pronunciava as palavras com uma pronúncia do norte jovem e gingão.
Estou a modos que triste, desmotivada, com alergias há um mês, cansada, com saudades de estar com o meu filho numa casa nossa, farta de burocracias, achando que cada frase que tenho ouvido durante toda a manhã não me faz qualquer sentido de graça, nem de bem, farta de todas as vozes à minha volta.
E, assim neste estado de alma, após ter devorado umas lulas recheadas mais ou menos boas: se as tivesse feito, estariam melhores e menos calóricas- que estas tinham além dos tentáculos das ditas, arroz e pedacinhos miúdos- de modo a caberem nos tubinhos e não parecerem maiores que estes, de chouriço e como se não bastasse escolhi de acompanhamento migas de coentros, que de ervas apenas salpicados e com pão um pouco seco, isto é pouco demolhado, pouco em migas, de pedaços grandes demais a contrastar com os pequeninos pedacinhos de chouriço. E, como se não bastasse um delicioso café, com um inteiro pacotinho de sucre e um Kinder délice. E, curiosamente sem fome, penso em lanchar um cachorro com molhos…
No espaço onde comi, bonito e com simpatia, folheando uma revista da socialite- onde não faltam conselhos de livros, espectáculos, análise psicológica - desta feita sobre o tema papéis/ Eu íntimo, barra ou não oposição, pois não temos eus dissociáveis - lá estavam as previsões astrológicas para esta semana e, nem a propósito retive o conselho que me assenta que nem uma luvinha de “cuidado com as gorduras”.
Agora, no período da tarde, está menos frio, o sol vai tentando brilhar lá fora, mas aqui entre estas paredes amarelecidas, feias, de pastas pretas e PC’s a conviverem no mesmo tempo, Internet e cabeças deste tempo, que tantas vezes não entendo, necessito de uma manta que esconda a minha falta de vontade para comigo mesma e para com todas as criaturas humanas de Deus.
Assim, nestas lamúrias, ficarei o mais calada possível para que não profira palavras amargas, sem qualquer fundamento e razão de serem proferidas e muito menos ouvidas pelos demais.
Assim, nestas lamúrias, ficarei o mais calada possível para que não profira palavras amargas, sem qualquer fundamento e razão de serem proferidas e muito menos ouvidas pelos demais.