António permaneceu um homem trabalhador, defensor dos seus princípios. Claro, mas reservado. Gosta de preservar o seu espaço e respeita o dos outros. Admira a ousadia alheia e a seu modo também o é, mas com receios infundados, necessitando de ter a seu lado, alguém um pouco mais ousado, com margem de segurança, que lhe dissipe os medos e o faça continuar a seguir o seu caminho, acompanhado. Quem o pretende acompanhar tem também os seus medos, que Ele dissipa, aquecendo o seu coração e a sua mente com palavras seguras, claras. Respeitam-se mutuamente e amam-se incondicionalmente. E, assim vão seguindo seus caminhos, acompanhados, mesmo quando se sentem sós.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Transformação- António, o vivido
A revolta estava lá- bem no fundo gostaria que tudo corresse bem. Anos e anos a esconder, a tentar que não se mostrasse, que uma parte sua fosse ficando fechada no roupeiro. assim tinha sido António, nas suas viagens por África, Américas e Oceania. Ía usando uma roupa que não lhe assentava bem, como se tivesse sido feita para outro corpo e depois corrigida para que não pudesse ser deixada cair. Agora, terminou. Toda a sua figura se revelava, sem pudor, mas também sem o poder que tinha ensaiado nas cortes e perante os chefes de tribo com quem se tinha cruzado. Mas, já não necessitava dele.
Após a revolução interior, nas entranhas das emoções, o luto. Agora vinha ao de cimo a sua autenticidade, bem estar, amor para os demais, olhando-os de frente, olhos nos olhos. O António sempre foi um aventureiro, extrovertido, comunicativo, mas os seus pensamentos e emoções gaurdava-os a sete chaves nos tesouros que encontrara pelo mundo fora. Ele fora garimpeiro, pirata, salteador, enriqueceu e cobriu-se de ouro, mas o seu ouro nunca o pudera revelar. Faltava-lhe algo. Um não sei quê de jeito, que lhe vinha do berço, ou de outros passados mal resolvidos.
De regresso ao País Natal, à gente que nunca fora dele. Ele nunca fora de pertença alguma, fosse porque fosse: convicção, descrença, ou simplesmente porque se procurara lá fora, longe. Sentiu em si o poder interior de Ser quem de facto era: um homem vivido, que passara pela vida como se tivesse querido vivê-la e não conseguisse. Um homem experiente, mas de tenra idade, tão ingénuo como um Ser que pela primeira vez vive.
Era tempo de caminhar. Deste modo, viria o dia em que já não olharia para trás, sem a distãncia devida, colocando tudo no seu devido lugar. Pelo menos, era esta a convicção, a fé que tinha agora.
Com tantas tempestades que enfrentou, salteadores que como ele, combateu, animais ferozes que derrotou, só agora se iria dar a grande mudança, acertar os ponteiros do relógio com o seu tempo, sem limitações, sem medos ou receios. Já nada esperava daquele lado do mundo que nunca soube quem Ele era, nem Ele o conheceu, de facto. Esse tempo, terminou. Tinha fé de que os dias, os meses, os anos nunca se repetem. O que foi já não é e o que é deixa imediatamente de o ser, num ciclo que não tem fim conhecido. Descansar em paz, vivendo outra vida que ainda não foi escrita. António, chegara finalmente a casa.
Após a revolução interior, nas entranhas das emoções, o luto. Agora vinha ao de cimo a sua autenticidade, bem estar, amor para os demais, olhando-os de frente, olhos nos olhos. O António sempre foi um aventureiro, extrovertido, comunicativo, mas os seus pensamentos e emoções gaurdava-os a sete chaves nos tesouros que encontrara pelo mundo fora. Ele fora garimpeiro, pirata, salteador, enriqueceu e cobriu-se de ouro, mas o seu ouro nunca o pudera revelar. Faltava-lhe algo. Um não sei quê de jeito, que lhe vinha do berço, ou de outros passados mal resolvidos.
De regresso ao País Natal, à gente que nunca fora dele. Ele nunca fora de pertença alguma, fosse porque fosse: convicção, descrença, ou simplesmente porque se procurara lá fora, longe. Sentiu em si o poder interior de Ser quem de facto era: um homem vivido, que passara pela vida como se tivesse querido vivê-la e não conseguisse. Um homem experiente, mas de tenra idade, tão ingénuo como um Ser que pela primeira vez vive.
Era tempo de caminhar. Deste modo, viria o dia em que já não olharia para trás, sem a distãncia devida, colocando tudo no seu devido lugar. Pelo menos, era esta a convicção, a fé que tinha agora.
Com tantas tempestades que enfrentou, salteadores que como ele, combateu, animais ferozes que derrotou, só agora se iria dar a grande mudança, acertar os ponteiros do relógio com o seu tempo, sem limitações, sem medos ou receios. Já nada esperava daquele lado do mundo que nunca soube quem Ele era, nem Ele o conheceu, de facto. Esse tempo, terminou. Tinha fé de que os dias, os meses, os anos nunca se repetem. O que foi já não é e o que é deixa imediatamente de o ser, num ciclo que não tem fim conhecido. Descansar em paz, vivendo outra vida que ainda não foi escrita. António, chegara finalmente a casa.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Caparica
Sábado, 23 de Outubro de 2010
Caparica
Capa rica debaixo da qual escondes o tesouro do amor. O universal envolve a terra de cheiro a maresia. Nas ondas abruptas do sal, as veias daqueles que pescam homens sem linhas, nem destino. Destinados porém a algo que ninguém sabe o que seja e teima em roubar sacos de rebuçados em lojas quase vazias. Escondem-nos nas algibeiras sem fundo da imaginação que consola o centro da existência sem passado, nem presente.
Na canseira da vida, ouço suspiros de alguém que remexe os cacos da vida, fazendo soar bem fundo gemidos abafados de dor, suor, lágrimas, sangue a correr à pressa. Entrecortados, ao longe, os motores de muitos cavalos, sem relinchar. Ainda os bicos que não se poupam no seu chilrear, ao desafio.
Os humanos bem teimam em jorrar palavras. Umas vezes, dignas de brotarem das fontes das entranhas, outras, de submergirem apenas nos confins das trevas, da escuridão. Misturam-se sons de canos metálicos de águas obrigadas a correrem para conforto das pessoas, presas a elas, criando dependências artificiais.
Ouço-te ainda...ao longe, não muito, o mar estende-se azul. Hoje é dia de Verão! O Sol, astro maior, brilha sem vergonha, sem medo de se mostrar, irradiando toda a sua luz.
Lá, no Palácio nobre, onde o verde, o azul, o castanho- terra, o branco de cal, reflectora do astro maior, no brilho do teu olhar. Pareces pensar, umas vezes cabisbaixo, outras vagueando nos pensamentos que a mente teima em trazer...outras ainda, de sorriso aberto como o mar ao mergulho.
É Verão! Aproximam-se dias estendidos, preguiçando em redes de pescadores sem barco, sem o ritmo dos ponteiros que implacavelmente correm para tempo nenhum.

O calor do Verão convida a pensar lentamente...palavra por palavra, gesto, por gesto, olhar por olhar...sentir. Mergulhemos nele e vamos até onde ele nos levar.
Caparica
Capa rica debaixo da qual escondes o tesouro do amor. O universal envolve a terra de cheiro a maresia. Nas ondas abruptas do sal, as veias daqueles que pescam homens sem linhas, nem destino. Destinados porém a algo que ninguém sabe o que seja e teima em roubar sacos de rebuçados em lojas quase vazias. Escondem-nos nas algibeiras sem fundo da imaginação que consola o centro da existência sem passado, nem presente.
Na canseira da vida, ouço suspiros de alguém que remexe os cacos da vida, fazendo soar bem fundo gemidos abafados de dor, suor, lágrimas, sangue a correr à pressa. Entrecortados, ao longe, os motores de muitos cavalos, sem relinchar. Ainda os bicos que não se poupam no seu chilrear, ao desafio.
Os humanos bem teimam em jorrar palavras. Umas vezes, dignas de brotarem das fontes das entranhas, outras, de submergirem apenas nos confins das trevas, da escuridão. Misturam-se sons de canos metálicos de águas obrigadas a correrem para conforto das pessoas, presas a elas, criando dependências artificiais.
Ouço-te ainda...ao longe, não muito, o mar estende-se azul. Hoje é dia de Verão! O Sol, astro maior, brilha sem vergonha, sem medo de se mostrar, irradiando toda a sua luz.
Lá, no Palácio nobre, onde o verde, o azul, o castanho- terra, o branco de cal, reflectora do astro maior, no brilho do teu olhar. Pareces pensar, umas vezes cabisbaixo, outras vagueando nos pensamentos que a mente teima em trazer...outras ainda, de sorriso aberto como o mar ao mergulho.
É Verão! Aproximam-se dias estendidos, preguiçando em redes de pescadores sem barco, sem o ritmo dos ponteiros que implacavelmente correm para tempo nenhum.

O calor do Verão convida a pensar lentamente...palavra por palavra, gesto, por gesto, olhar por olhar...sentir. Mergulhemos nele e vamos até onde ele nos levar.
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